Características do conto ou por que escritores iniciantes deveriam começar escrevendo contos

Publicado por vilto em

Com frequência, digo às pessoas que “o conto é uma escola.” Então elas começam a escrever por este gênero. Mas ainda não entendem as características do conto.

E entender isso é fundamental.

Tanto para ser bem sucedido, como para evoluir na escrita.

É preciso também vencer o preconceito que existe com o gênero. Alice Munro, uma contista, ganhou o Nobel de Literatura em 2013.

Além de outros escritores que se tornaram famosos por seus contos. Como Jorge Luis Borges, Raymond Carver, Rubem Fonseca, entre outros. Portanto, não se trata de algo menor.

Escritores iniciantes precisam ter uma coisa em mente: Escrever contos fará de você um escritor muito melhor.

Por isso, continue lendo este artigo para aprender:

  • O que é um conto? Ou características do conto (gênero)
  • Como fazer um conto
  • Por que o “conto é uma escola”?
  • O que fazer para se aprofundar na escrita de contos?

 

 

O que é um conto? Ou características do conto (gênero)

Você pode estar se perguntando: mas o que é um conto? Esta é uma pergunta que muita gente me faz. E tudo bem. Vamos lá.

Preciso começar deixando claro. Só por que uma história é curta, isso não faz dela um conto. Existem três elementos importantes que tornam uma história um conto.

Vou falar um pouco de cada um deles.

 

Primeira característica do conto: Unidade dramática

Se a história tem dois ou mais centros de conflito, não é um conto. É uma novela. Ou um romance. Ou qualquer outra coisa. Mas não um conto.

O conto se concentra no drama de um só personagem. Geralmente (mas nem sempre), tratando de uma cena ou momento da vida dele.

 

Segunda característica do conto: Concisão

Um bom contista sempre escreve com concisão. É por isso que a maioria dos contos são curtos. Tem a ver com a técnica de quem escreve contos.

No romance, ou em outros gêneros, podemos colocar tudo. Quem escreve contos, porém, opta por colocar apenas o essencial. E ainda procura o ritmo e as palavras certas para expressar o que deseja.

Por isso, a concisão é um fundamento do conto.

 

Terceira característica do conto: sempre conta duas histórias

Ernest Hemingway chamou isso de Teoria do Iceberg. Basicamente, é a ideia de que o que aparece na história é só o que está acima da água. Apenas uma ponta do que está submerso.

Mas prefiro a tese do conto de Ricardo Piglia: “Um conto sempre conta duas histórias.”

O funcionamento e as características do conto baseiam-se nisso. Temos uma história sendo contado (que pode ser até banal). E uma segunda história que acontece no subterrâneo do conto.

Tudo bem, mas de que forma escrever um conto? É o que explico a seguir.

 

Como fazer um conto

Se levarmos em conta a tese de Ricardo Piglia em Formas Breves (ver na Amazon), o trabalho do contista consiste em trabalhar essas duas histórias.

Ou seja, contar a primeira história enquanto “esconde” detalhes da segunda história.

Para ficar mais claro, vou citar uma anotação do caderno de notas do escritor Anton Tchekhov. A anotação é a seguinte:

“Um homem em Montecarlo vai ao cassino, ganha um milhão, volta para casa, suicida-se”.

Com base nessa nota, podemos nos perguntar: por que o homem foi ao cassino? Como ele ganhou um milhão? O que o levou a se suicidar?

Todas essas respostas fariam parte da história submersa, a história dois. Desta forma, em certos momentos do conto, o escritor poderia apenas sugerir os motivos do personagem (nunca explicá-los).

No final, então, teríamos um “efeito” que pode ser causado por: uma revelação, uma epifania, ou uma surpresa (como o surgimento da “história secreta”).

É por isso que Ricardo Piglia define o desafio do contista, ou problema técnico, na seguinte questão: “Como contar uma história enquanto se conta outra?”

Eis o desafio.

 

Por que o “conto é uma escola”?

Muitos escritores iniciantes começam querendo escrever trilogias. Ou até séries com mais de três livros. É claro que este desejo vem das leituras que fazem. Não há problema nenhum nisso.

A não ser pelo fato de que, provavelmente, não conseguirão terminar o que desejam escrever.

Por quê? Simples. Escrever dá trabalho.

E o escritor iniciante ainda não criou a fibra necessária (resiliência) para escrever algo tão longo.

Além disso, ele vai passar muito tempo escrevendo sem feedback. E é fundamental ouvir opiniões de outras pessoas mais experientes para evoluir na escrita.

É aí que entra o conto. E quando insiro o gênero neste contexto, de dizer que “o conto é uma escola”, não quero dizer que ele seja mais fácil. Muito pelo contrário.

É uma escola pois exige muito do escritor. Por isso gera aprendizado.

Se você quer acelerar sua curva de aprendizado como escritor, precisa escrever contos e se aprofundar no gênero.

Ou deveria, pelo menos.

 

O que fazer para se aprofundar na escrita de contos?

Bom, o primeiro passo você já deu. Está aqui lendo este artigo até o fim para entender as características do conto. E, acredite, se você apenas aplicar as ideias que abordo aqui, já conseguirá ir muito além.

Aliás, aí é que está o segredo (se é que podemos chamar de segredo). Escrever muito, revisar, analisar, pedir opiniões, ler e aplicar as técnicas.

O escritor americano Ray Bradbury, autor de obras como Fahrenheit 451, fala em seu livro Zen e a arte da escrita (ver na Amazon) que durante muito tempo trabalhou escrevendo um conto por semana.

Não à toa, teve tantos volumes de contos publicados. E até mesmo revitalizou a ficção científica. Em vez da escrita dura comum no gênero, inseriu uma poética única.

Você também pode crescer muito como escritor e entrar na “escola do conto”, fazendo um curso de contos ou lendo mais conteúdo a respeito do tema nesta sequência que preparei abaixo.

 



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