7 Pecados Capitais que fazem todo Escritor Iniciante parecer um IDIOTA

Publicado por Vilto Reis em

Todo Escritor Iniciante comete uma série de pecados.

Eu mesmo cometi muitos. São pecados capitais que poderiam ser evitados através de dicas rápidas, como as que você encontra neste artigo.

Antes preciso deixar bem clara uma coisa. Não quero acusar ninguém, nem julgar quem peca, o objetivo é ajudar.

Como disse Jesus: “quem nunca pecou, que atire a primeira pedra.”

Logo, o objetivo deste artigo é que você ganhe anos de aprendizado, reconhecendo estes pecados e aprendendo como evitá-los. E, acredite, você não precisa reinventar a roda para ser escritor. Basta desenvolver uma consciência maior dos pecados literários e evitar estes erros que o escritor iniciante comete.

Continue lendo este artigo para desenvolver uma consciência e aprender como evitar os seguintes erros de escritor iniciante:

  • Não saber seu lugar na literatura (Inveja)
  • Evitar conflitos nas histórias (Ira)
  • Não saber seduzir com as palavras (Luxúria)
  • Ter uma dieta nada moderada de adjetivos (Gula)
  • Usar cenários que desconhece (Ganância)
  • Querer ocupar o lugar do narrador (Orgulho)
  • Não revisar o que escreve (Preguiça)

 

1º Pecado: Não saber seu lugar na literatura (Inveja)

Dizem que os artistas têm os piores egos, mas não concordo. Aliás, já diria o escritor Nelson Rodrigues que “toda generalização é burra.” Essa do artista é uma dessas generalizações incoerentes.

Até porque não existem “os artistas” como um indivíduo com as mesmas características. Nem “os escritores” como um só tipo de pessoa.

Ainda assim, costumo os dividir os escritores em dois grupos:

  1. Os que se acham geniais (gênios incompreendidos, ou anda não reconhecidos);
  2. Os que se veem como as piores pessoas (tudo que escrevem, acham péssimo).

Em geral, prefiro trabalhar com o segundo grupo, pois sei que posso fazer, se eles permitirem, com que reconheçam seus talentos e aperfeiçoem suas deficiências.

O primeiro grupo dá muito mais trabalho. Eles acreditam que tudo que escrevem é a melhor coisa de todos os tempos. De forma geral, têm preguiça de revisar (ver o último pecado deste texto) e não sabem seu lugar na literatura.

Ou seja, fazem-se a seguinte pergunta com frequência: como que alguém não publicaria o que escrevo?

Daí nasce a inveja. Pois ignoram o trabalho dos outros que são reconhecidos e passam a reclamar enquanto poderiam estar investindo energia em se aperfeiçoar. Não seja este tipo de escritor iniciante.

Se você for um gênio, deixe que os leitores e críticos digam isso. Não você.

Aproveite e leia o artigo Tudo que você precisa saber antes de publicar um livro.

 

2º Pecado: Evitar conflitos nas histórias (Ira)

Você já se perguntou por que seus leitores não se identificam com suas histórias? E por que não se identificam com seus personagens. Sabe por que isso acontece?

Simples. Porque há falta de conflito em suas histórias.

Você pode ter um cenário bem desenvolvido, uma ideia interessante e até um estilo de escrita refinado e formidável, mas se não tiver conflito, você não tem ficção.

Aliás, são seis os principais tipos de conflitos possíveis em uma história:

  • Personagem X Personagem: Conflitos de personagens, ente heróis e vilões ou amantes.
  • Personagem X Sociedade: O personagem é vítima da sociedade. Personagem X Natureza: Quando uma catástrofe natural ou elemento da natureza muda a vida do personagem.
  • Personagem X Tecnologia: O personagem enfrenta os resultados ameaçadores da ciência, que estão além do seu controle.
  • Personagem X ele mesmo: Conflito entre um personagem e sua luta interior.
  • Personagem X Sobrenatural: A fonte do conflito é o sobrenatural.

E somente por meio do desenvolvimento dos conflitos, sendo da história como um todo ou dos personagens, é que você conseguirá identificação dos seus leitores.

Já falei sobre isso quando escrevi o artigo sobre como escrever diálogos, mas vou repetir. Chuck Palahniuk, autor de Clube da Luta, costuma dizer em suas oficinas que você deve inserir o quanto antes dois personagens em cena. Pois assim terá conflito.

Se quiser saber mais sobre o assunto da criação de conflitos, confira o infográfico 6 Ideias de conflitos para escrever histórias com personagens inesquecíveis.

 

3º Pecado: Não saber seduzir com as palavras (Luxúria)

Há quem confunda escrever bem com frases enroladas que não dizem nada. Além de parecer uma trapaça com o leitor, pois você “fala muito” e “oferece pouco” em termos de experiência literária, pode ser ainda uma ação de autoengano.

Alguém pode achar que escreve muito bem, mas na verdade só foi seduzido pelas palavras. E o que é pior, em sua literatura, não sabe seduzir os leitores com suas palavras.

Para melhorar neste quesito, há um exercício que todo escritor de prosa deve fazer: ler os poetas.

Os grandes poetas constroem versos cheios de sentido em frases curtas. E se você procura escrever uma ficção mais acessível a todo tipo de leitor, pratique frases curtas, são mais fáceis de compreensão.

Chego a acreditar que, muito provavelmente, a grande escrita seja dizer muito com poucas palavras.

Mas geralmente o escritor iniciante quer dizer muito. Usa muitas palavras. E no fim das contas, acaba não dizendo nada.

Além do poema, recomendo como forma de estudo a leitura de contos (e se você não sabe por onde começar, leia este guia). O conto é uma escola. É por isso que falo no curso COMO ESCREVER CONTOS sobre a importância da compressão e da precisão das palavras.


4º Pecado: Ter uma dieta nada moderada de adjetivos (Gula)

O adjetivo deve ser utilizado com moderação. Da mesma forma que, quem faz dieta para emagrecer, deve cuidar com consumo de carboidratos.

Não queremos textos obesos, com palavras sobrando e inchados, certo?

Pois bem, provavelmente por influência da cultura americana, vemos textos “superadjetivados”. É um sinal claro de que o escritor iniciante leu somente livros traduzidos do inglês e pouco, ou nada, das obras escritas por brasileiros.

Não existe problema algum em ler traduções. Mas quando se vai escrever, é preciso que se desenvolva uma compreensão do idioma utilizado.

No inglês, temos uma permissividade maior para os adjetivos. Enquanto no português, isso não é tão aceito. De tal forma que, quando você usa adjetivos, é preciso buscar originalidade.

E, acredite, isso valoriza muito o seu texto.

Por exemplo, em Dom Casmurro, Machado de Assis escreveu que Capitu tinha “olhos de ressaca”. O que são “olhos de ressaca”? Não sei, mas é belo. É literário. É um encadeamento de palavras bem construído.

E é isso que o escritor, seja iniciante ou não, deve buscar.

 

5º Pecado: Usar cenários que desconhece (Ganância)

Pesquisa é tudo se você não conhece o lugar sobre o qual vai escrever. E o Google Street View pode te ajudar muito nisso. Eu mesmo já escrevi contos inteiros sobre viagens utilizando esta ferramenta. É uma “mão na roda” nas descrições.

Mas com frequência, pego textos em que os autores desconhecem os cenários em que contam suas histórias. E nem se dão ao trabalho de pesquisar sobre. Por exemplo, são ficções de escritores brasileiros que nunca estiveram em Nova Iorque, porém escrevem sobre a cidade.

Costumam ser fracos. Não passam confiança.

É o velho problema de se escrever sobre o que não se conhece. É claro que a imaginação conta nessa hora. No entanto, um pouco de realidade também faz bem à ficção.

Nem sempre é preciso fazer uma viagem para o local em que vai se passar sua história. Lembro que quando li a novela Especial Natalino, de Clara Madrigano, fiquei encantado com as descrições da história. Cheguei a perguntar a autora por e-mail se havia morado nos Estados Unidos. Ela me respondeu que não. Eu teria apostado que sim.

Veja o poder de uma boa pesquisa.

Então já sabe né? Escreva sobre cenários que você conhece, ou pesquise. Para não ser para sempre um escritor iniciante.

6º Pecado: Querer ocupar o lugar do narrador (Orgulho)

Com frequência, escritores iniciantes confundem o narrador, quem conta a história no texto, consigo mesmo, o próprio autor.

Seria uma questão de ego? Suspeito que sim. Porém também pode ser uma questão de não entender a função de um narrador no texto.

Talvez você vá citar para a mim a famosa declaração de Gustave Flaubert.

Se você não conhece o contexto desta história, é o seguinte. Após a publicação de Madame Bovary em 1857, o autor do livro foi levado aos tribunais. A história foi acusada de ser uma ofensa à moral e à religião. E Flaubert usou a frase “Emma Bovary c’est moi” (Emma Bovary sou eu) no julgamento. A Sexta Corte Correcional do Tribunal do Sena acabou absolvendo o autore, mas os puritanos nunca perdoaram a obra que seria referência do realismo e da utilização do narrador.

Mas Flaubert não era seu narrador. Podemos fazer uma diferenciação fundamental aqui.

Flaubert é o autor, existe o narrador que conta a história e existe a personagem refletora, Madame Bovary, que por vezes se mistura com o narrador, mas ambos estão separados de Flaubert.

Ao estudar as possibilidades do narrador, você poderá criar narradores diferentes de você e melhorar muito a qualidade da sua ficção.

 

7º Pecado: Não revisar o que escreve (Preguiça)

Mesmo tendo dedicado um artigo específico à revisão, não poderia deixar de citar este item aqui na lista.

Vou ser simples e direto.

Se você não aprender a revisar e editar seus textos, não será um bom escritor.

Você já se perguntou como os grandes conseguem isso? Como eles escrevem frases marcantes? Ou ainda, de que forma produzem suas obras-primas?

Simples, revisando. O escritor Ernest Hemingway tem uma frase pontual sobre o assunto:

“A primeira versão de qualquer coisa é uma merda.”

Me pergunto se foi depois de revisar O velho e o mar tantas vezes é que chegou a tal conclusão. Conta-se uma história de que a primeira versão deste livro tinha 500 páginas. Por que será que a versão publicada tem pouco mais de 100?

Revisão.

Se você quer ir além de ser um escritor iniciante, aprenda a se editar. Será fundamental para o seu crescimento.

Leia também: 

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7 comentários

Mateus · 25 de março de 2018 às 10:48 am

Excelente! Me ajudou muito.

    Vilto Reis · 26 de março de 2018 às 9:44 am

    Fico feliz em ajudar e espero que siga acompanhando nossos artigos 🙂

Roberto Klotz · 18 de abril de 2018 às 8:59 am

Obrigado, Vilto.
Passei a noite em claro porque li os primeiros capítulos de um livro já diagramado para publicação. O autor pedia uma leitura crítica quando, disfarçadamente, desejava meus aplausos para a sua genialidade.
Este artigo se encaixa exatamente naquilo que eu precisava dizer ao autor.
Desconhece conflitos; Fala muito e não dá espaço para os personagens mostrarem ou falarem.
Superlativa nos adjetivos; É turista nos cenários; Ao menos tem domínio da linguagem e não comete erros grosseiros.
Parabéns você sempre é muito claro nas suas colocações.
Abraços,
Roberto Klotz

    Vilto Reis · 18 de abril de 2018 às 10:29 am

    Adorei a expressão “turista nos cenários.” Vou adotar.
    Obrigado por comentar, meu caro.
    Grande abraço e boa sorte no feedback!

Bruno · 1 de abril de 2019 às 9:55 pm

Incrível!
Sempre tento me policiar para não interferir direta ou indiretamente nos diálogos e ações durante a narrativa. Chega a ser uma tentação, mas já matei personagens desejando entrar na história e salvá-lo.
Escrever sobre o que não se conhece é arriscado, por isso eu prefiro inventar. Mas inventar é mais trabalhoso do que pesquisar.
Francamente, acho que me encaixo no segundo grupo de escritores, temperado a gosto com 7º Pecado deste artigo.
Mas suas dicas foram preciosas, tenha certeza! Lamento não poder participar de seus cursos para escritores iniciantes, se tivesse condições, provavelmente, faria alguma temporada.
Talvez se eu tivesse mais tempo, conseguisse revisar tudo o que já fiz, mas o bom é que a história permanece viva dentro de miim.
A parte ruim é ter que reeditar alguma cena quando você se depara com algo parecido, mesmo depois de já ter escrito. E uma DAS PIORES coisas é dar ouvidos à pessoas erradas! Digo isso por que há muito, antes mesmo do ano 2008, eu havia comentado com um colega que jova RPG que eu iria colocar um Dinossauro na história que eu escrevo. Ele me disse que não se encaixa no perfil! Da mesma forma que disse que Elfos não se encaixam no cenário vampiresco; daí pouco tempo depois vejo o filme “Bright”, e bem antes o livro “Senhores dos Dinossauros”. Enfim, continuarei escrevendo, ouvindo muito e lendo, mas absorvendo apenas o que for produtivo, como o que encontrei aqui!

Desde já te agradeço.

Bruno

(não reli kkk)

    vilto · 2 de abril de 2019 às 4:20 pm

    Me diverti com seu comentário. Fico muito feliz que o artigo tenha te interessado.
    Bom, editar é o que um bom escritor mais faz. Então o que você deve fazer é se apaixonar pelo processo de edição, ou pelo menos considerar que este processo vai deixar sua escrita muito melhor.
    Sobre os cursos, sem problemas. Em breve, vou lançar um minicurso gratuito. E estou com esta série no Youtube que vale por um curso, caso queira acompanhar: https://www.youtube.com/watch?v=1IuyEBbwD2U&list=PLUucopJOZ83aqnBp90-tUB4loKZLs_AcW
    Grande abraço e siga escrevendo!

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