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12 Frases que todo escritor ODEIA ouvir (e o que responder)

Publicado por Vilto Reis em

Escrever é ótimo, mas ser escritor às vezes exige paciência. Por ser algo não tão habitual no Brasil, as pessoas têm uma série de perguntas e colocações nada bem-vindas. Não à toa existem frases que todo escritor odeia ouvir.

Você já passou por isso?

Ouviu uma dessas frases?

Nessas situações há sempre duas respostas. O que você gostaria de dizer e O que você geralmente diz. Concorda?

Não é nada fácil.

Você sabe de quais frases estamos falando?

Continue lendo este artigo para conhecer as 12 frases que todo escritor ODEIA ouvir (e o que responder).

 

“Você deve ser inteligente” ou “Queria ter esse dom”

Como se tivesse caído do céu e você não se esforçasse em nada. Dá para aguentar? Você passou anos escrevendo, lendo manuais de escrita, frequentando oficinas literárias e fazendo cursos para escritores para ouvir isso?

O que você gostaria de dizer: Sim, não sou um mero mortal como você.

O que você geralmente diz: Se você soubesse o trabalho que dá.

 

“Nem parece que foi mulher que escreveu”

Deu. Simplesmente, deu. Estamos no século XXI e uma frase assim não cabe mais, certo? 

O que você gostaria de dizer: **É que seu cérebro de ervilha não consegue entender que não é com o pau que se escreve.

O que você geralmente diz: Claro que parece. Você é que não parece entender de Literatura.

 

“Quando vai publicar seu primeiro livro?”

É a falta de conhecimento que as pessoas têm do mercado editorial. Não é nada fácil publicar um livro (e até estamos desenvolvendo um curso sobre o assunto), mas o escritor precisa se virar na resposta.

O que você gostaria de dizer: Você tem uma editora e vai me publicar?

O que você geralmente diz: Não é tão fácil assim.

 

“Se eu tivesse mais tempo”

Sim, com certeza está sobrando tempo para você, escritor. Você não tem família, não tem trabalho, não estuda e nem tem compromissos familiares, como todo mundo. E é só por isso que você escreve, não é mesmo?

E depois não sabem por que o escritor odeia ouvir esta frase.

O que você gostaria de dizer: Eu só tenho prioridades, meu querido. Se você deixar a preguiça de lado, também consegue.

O que você geralmente diz: Cada um faz o que gosta.



“Você escreve e trabalha com o quê?”

Outra opção é: “Você é escritor, mas qual é o seu trabalho de verdade?” Sabe o sangue subindo quando as pessoas perdem a chance de ficar quietas? Sim, este é o caso. Quando será que neste país escritor será reconhecido como uma profissão? Alguém pode ser ator ou músico, mas escritor não?

O que você gostaria de dizer: Você é idiota, mas trabalha com o quê?

O que você geralmente diz: Trabalho com as duas coisas. Sou escritor e também…

 

“Quando sai o próximo livro?”

Se você acabou de trabalhar intensamente em um projeto, deve estar acabado. Existe a tal exaustão criativa. E após escrever um livro, ou publicá-lo, precisa mesmo é descansar, viajar ou fazer outras coisas.

Se já faz tempo que publicou um livro e as pessoas estão te cobrando o próximo, o problema é delas. Você não é uma máquina de produção. Faça no seu tempo.

O que você gostaria de dizer: Quando me der vontade ou você começar a me pagar para escrever e ter direito de cobrar. Aí sai o próximo.

O que você geralmente diz: Estou trabalhando em um projeto novo aí. Logo sai.

 

“Tive uma ideia boa pra um livro. Você escreve e a gente racha os lucros. Que tal?”

Será que esta pessoa sabe como funciona o mercado editorial? Com toda a certeza, não. Ela não sabe o que é preciso fazer para publicar um livro. Não faz nem ideia de que o autor geralmente leva 10% do preço de capa do livro. Faz parte. Todo escritor odeia ouvir essa frase.

O que você gostaria de dizer: O que acha de você escrever e a gente rachar os lucros? Entro com o apoio moral.

O que você geralmente diz: Ando meio sem tempo. Tô muito focado num outro projeto.

 

“Minha vida dá um livro”

As pessoas acham que só por que você é escritor, precisa escrever sobre a vida delas. Você provavelmente se tornou um escritor, mas não tem nenhuma ideia. E agora sai à caça de ideias dos outros para escrever. Provavelmente.

Pior, essas pessoas ainda acham que a vida delas daria um bestseller.

O que você gostaria de dizer: Ótimo. Então vai lá e escreve.

O que você geralmente diz: Ah, legal.

 

“Quando ficar rico lembre de mim”

Será que as pessoas acham que você está investindo em petróleo ou no agronegócio?

Se o objetivo fosse ficar rico, você não estaria escrevendo, certo? (O Daniel Lameira, editor da Intrínseca, fala sobre o assunto nesta entrevista). São poucos os escritores que conseguem. E se você escreve apenas por dinheiro, sabe que provavelmente não vai conseguir.

Mas as pessoas ao seu redor não sabem disso.

O que você gostaria de dizer: Sim, vou lembrar lá de Dubai.

O que você geralmente diz: Não é bem assim. Vender livro não é fácil.



“Você deveria falar redação em vez disso?”

É o mesmo que dizer que você está perdendo o seu tempo. Ou no caso de você estar trabalhando profissionalmente – como redator, jornalista ou copywriter – e as pessoas não aceitarem que você também escreve ficção nas horas vagas e poderia dar uma aula sobre como estruturar um livro. É um saco.

O que você gostaria de dizer: Sim, você tem toda razão, porque existe muita diferença entre redigir e escrever, não acha?

O que você geralmente diz: Meu trabalho é diferente de ser escritor.

 

“Isso não dá futuro” ou “Dá pra viver disso?”

Para. Para tudo. De repente, é melhor você nem continuar esta conversa. Se a pessoa não entende que você escreve ficção porque ama fazer isso, não vai entender suas explicações.

Não há problema algum em ganhar dinheiro com a escrita, afinal de contas “amor não mata fome”, como diz o ditado popular. Mesmo assim, é um problema seu, correto? E a não ser que a pessoa pague um salário a você, ela não precisa se preocupar. Todo escritor odeia ouvir esta frase.

O que você gostaria de dizer: Não se preocupe, vou fazer dieta.

O que você geralmente diz: A gente se vira.

 

“Será que você tem talento o suficiente?”

Talento, dom, musa ou inspiração são palavras bonitas.

Mas um escritor de verdade não fica pensando nelas. Simplesmente, senta e escreve. Saber se “tenho talento para escrever” não é tão importante como ter determinação. E este tipo de comentário pode vir para acabar com sua autoestima. Ignore. Só escreva.

O que você gostaria de dizer: Você tem um medidor de talento aí pra gente descobrir?

O que você geralmente diz: Os leitores é que vão dizer.

 

***

Gostou dessas frases que todo escritor ODEIA ouvir? Compartilhe!

Qual é a frase que você mais odeia? Qual está faltando na lista? Você já ouviu alguma dessas? Comente no post e compartilhe!

 

* Agradeço as sugestões de frases dos participantes do grupo no Facebook Comunidade de Escritores RUSGA. São eles: Ceres Postali Marcon, Hélio de Paiva Jr, Leandro Chagas, Edhson J. Brandão, Lívia Nakazato, Henrique Gribel, Janayna Bianchi Pin e Juliana Vermelho Martins.

** As respostas da frase “Nem parece que foi mulher que escreveu” é da Cecília Garcia Marcon. E a frase é da Janayna Bianchi Pin. Obrigado às duas!

 

Conheça este curso:

   

8 comentários

yukie · 30 de março de 2018 às 12:03 am

Meu querido, cheguei de um desses dias q vc não esta aquelas coisas de animado, abri o email pra um trabalho da faculdade e trombei nesse, e melhorei do desanimo, ri muito, pois é oq geralmente perguntam/cobram quando vc menciona, comenta, finge q nem disse mais pra não ter de escutar coisas assim. Foi muito divertido e melhorou meu dia.
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

J.F.R · 30 de março de 2018 às 12:22 pm

Creio que a pergunta ” Da pra viver disso?” Destrói o sonho de muitos escritores iniciantes.
Vencer essa pergunta é uma vitória interna.

Como escritores o primeiro patrão de vcs são vcs mesmos. Se tem alguém que tem o direito de opinar ou cobrar algo é vc mesmo.
Meu conselho: Liguem o botão do foda-se!

J.F.R · 30 de março de 2018 às 12:25 pm

Obrigada amei o post, bem realista e condizente com a realidade.
Parabéns

Morisson Lima · 2 de abril de 2018 às 7:45 am

Mano, você descreveu a minha vida inteira nesse post. A maioria das vezes são os parentes pentelhos que fazem essas perguntas.

    Vilto Reis · 2 de abril de 2018 às 6:26 pm

    “Parentes pentelhos”. Como dei risada com isso. Rolou uma identificação forte aqui 🙂

Juliana Vermelho Martins · 2 de abril de 2018 às 8:59 am

Há exatamente dez anos eu li um livro chamado “A arte de escrever” do Schopenhauer e mandei uma mensagem pra um amigo escritor.

Lendo esse (ótimo!) post do blog lembrei dessa mensagem e fui resgatá-la. É longa, mas acho que vale a pena compartilhar aqui! Tem uma outra coisa irritante na profissão de escritor. Por trás dessa ideia de que um escritor é (ou será) milionário está uma crítica velada ao seguinte fato: “se você tem a intenção de GANHAR DINHEIRO escrevendo, então você não é um escritor DE VERDADE!”

Foi sobre isso que eu falei nessa troca de mensagens com o amigo.

Segue o textão. Mas, antes, eu sugeriria mudar a frase “Você escreve e trabalha com o quê?” para a seguinte versão: “Você só escreve ou trabalha também?” Sem comentários!!!

=====
[…] O livro é “A arte de escrever” do Schopenhauer. Já morri de rir em algumas partes, o cara é realmente engraçado. Sem papas na língua (eu deveria dizer na “pena”, já que ele escreveu tudo isso lá pelo final do século XIX), mete a boca em todo mundo, dando o nome aos bois. Às vezes eu chego a ter saudades do tempo em que não precisávamos ser tão politicamente corretos. Éramos, com certeza, mais autênticos!

Já concordei com grande parte das coisas que ele diz, mas teve uma que não deu. Identifiquei ali um provável embrião pra uma idéia estapafúrdia que habita o mais perigoso de todos os censores: o senso comum. Como é que a gente luta contra o senso comum? Onde ele está? Pra que lado a gente se vira pra bater de frente com ele? O senso comum impregna, envolve, invade e quando a gente vê, está repetindo suas máximas sem se dar conta, ou então se sentindo culpado por ir contra os seus ditames.

A idéia a qual me referi é a de que “um escritor DE VERDADE não ganha dinheiro escrevendo”. Isso seria imoral, abjeto, condenável. Olha só o que o Schopenhauer escreveu sobre isso!!!

“Os honorários e a proibição da impressão são, na verdade, a perdição da literatura. Só produz o que é digno de ser escrito quem escreve unicamente em função do assunto tratado. Seria uma vantagem inestimável se, em todas as áreas da literatura, existissem apenas alguns poucos livros, mas obras excelentes. Só que nunca se chegará a tal ponto enquanto houver honorários a serem recebidos. Pois é como se uma maldição pesasse sobre o dinheiro: todo autor se torna um escritor ruim assim que escreve qualquer coisa em função do lucro. As melhores obras dos grandes homens são todas provenientes da época em que eles tinham de escrever ou sem ganhar nada, ou por honorários muito reduzidos. Nesse caso, confirma-se o provérbio espanhol: honra y provecho non caben en un saco [honra e proveito não cabem no mesmo saco].
A condição deplorável da literatura atual, dentro e fora da Alemanha, tem sua raiz no fato de os livros serem escritos para ganhar dinheiro. Qualquer um que precise de dinheiro senta-se à escrivaninha e escreve um livro, e o público é tolo o bastante para comprá-lo. A conseqüência secundária disso é a deterioração da língua.”

Ainda tem uma notinha de rodapé que joga a “pá de cal” sobre o assunto:

“O que caracteriza os grandes escritores (no nível mais elevado) assim como os artistas, e que é comum a todos eles é o fato de que levam a sério o seu assunto, enquanto os restantes não levam nada mais a sério além de suas vantagens e ganhos. Quando alguém fica famoso em virtude de um livro escrito por vocação e por um impulso íntimo, mas em seguida se torna prolixo, então vendeu sua glória pelo vil dinheiro. Assim que se escreve para ganhar algo, o resultado é ruim. Só neste século passou a haver escritores por profissão. Até então havia apenas escritores por vocação.”

Tem milhares de coisas que eu penso sobre tudo isso, mas a mensagem já está grande demais e Schopenhauer já está morto, infelizmente. Eu adoraria poder escrever um texto chamado “Morte à Schopenhauer!” antes que ele dissesse a bobagem que disse e colocasse no imaginário humano a associação artista – dinheiro – promiscuidade. Com certeza na época dele existiam os mecenas; os escravos; as fortunas de família; as viagens eram de carroça e não avião; ele não tinha de pagar internet, celular e TV a cabo; os filhos não estudavam em escola particular!!!

Fico irritadíssima com essa associação dinheiro – menosprezo que se faz não só em relação às artes, mas a tudo. Como se querer ganhar dinheiro com o que quer que seja fosse imoral. Mas esse é outro assunto que não tem nada a ver com a nossa “tertúlia”. 🙂

    Vilto Reis · 3 de abril de 2018 às 8:43 am

    Tem muitas coisas interessantes neste livro do Velho Chope (trocadilho infame), mas de fato esta questão do dinheiro não é uma delas. É uma ideia muito romântica essa do artista como tradutor de um mundo elevado que não deve aceitar o “vil metal.” Ora essa, não é por que o amor não enche barriga que a arte também não deve encher.

    Obrigado por trazer esta discussão para cá, Juliana!

Tiago Basto · 16 de abril de 2018 às 1:26 pm

Muito bom Mesmo valeu obrigado 🙂

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