fbpx

Cyberpunk, Steampunk e outros 9 gêneros ‘punk’ que você nem sabia que existia

Publicado por Vilto Reis em

“Punk” é uma daquelas palavras usadas de muitas maneiras para descrever tantas coisas que perdeu todo o significado. 

Para complicar ainda mais, usamos a palavra para descrever vários subgêneros da ficção científica. E, acredite, as coisas podem ter saído completamente do controle nos últimos anos.

Mas isso é de se esperar. Cada novo subgênero de ficção científica começou com um pouco de controvérsia. Porém a negação muda para aceitação, até que a palavra se torne apenas parte do cenário da ficção científica. 

Mas vamos entender um pouco mais.

Quais são as principais características dos gêneros punk?

A premissa básica do sci-fi punk é o foco na tecnologia, embora o que venha antes do “punk”  defina de qual tipo específico de tecnologia estamos falando. Também há um elemento de rebelião, e os personagens principais costumam ser membros marginalizados da sociedade (sugerindo o significado original da palavra punk).

Outra questão importante é que costumamos usar o termo “retrofuturismo” para descrever o punk de ficção científica, porque muitos desses subgêneros são baseados principalmente na tecnologia e nos tropos de uma época passada, mas com um toque futurista. 

E quais são outros gêneros punk além dos mais conhecidos, cyberpunk e Steampunk?

Abaixo está uma lista dos vários subgêneros da ficção científica que adquiriram o sufixo punk. Alguns existem há décadas, com muitos exemplos, enquanto outros são apenas truques e piadas internas que continuam aparecendo.

1) Steampunk

Cyberpunk, Steampunk e outros 9 gêneros "punks" que você nem sabia que existia
All Aboard, de René Aigner

Onde o cyberpunk é futurista e sombrio, o steampunk é retrô, nostálgico e sustentado por uma visão mais otimista do potencial humano. 

Ele combina aparelhos avançados com acessórios antigos e imagina computadores e máquinas voadoras que empregam motores a vapor e quilômetros de tubulação de cobre. 

O trabalho steampunk mais conhecido foi o A máquina diferencial, de Bruce Sterling e William Gibson; mas Morlock Night, de KW Jeter, é considerado o primeiro romance steampunk, porque foi ele quem inventou o termo.

2) Cyberpunk

Avô dos gêneros punk especulativos, o cyberpunk surgiu quando Bruce Bethke cunhou o termo em uma pequena história de 1983 com o mesmo nome. Depois explodiu quando William Gibson escreveu Neuromancer

O Cyberpunk se concentra na tecnologia de computadores e hackers e tende a ocorrer em ambientes distópicos e distantes no futuro.

Outra obra importante dentro desse gênero e já traduzida para o português é Snow Crash, de Neal Stephenson.

3) Dieselpunk

Em um sentido histórico, pode-se dizer que o dieselpunk fica entre o cyber e o steampunk — a tecnologia é coisa do século XX: motores a gás e arranha-céus. 

Pense no filme O capitão Sky e o mundo de amanhã (2004). A narrativa de ficção pulp de meados do século é combinada com tecnologia anacrônica e uma boa dose de história alternativa.

4) Biopunk

Passage, de Stijn Windig

Pertence a outro conjunto de subgêneros, mais frequentemente associado a um futuro próximo. 

O Biopunk lida com engenharia genética e aprimoramento biológico. 

Starfish e suas seqüências, de Peter Watts, são um excelente exemplo desse gênero muitas vezes apocalíptico, onde alguém que mistura divindade com DNA pode às vezes chegar a destruir o mundo ou pelo menos transformá-lo em algo além de qualquer reconhecimento.

5) Clockpunk

Muitas vezes considerado um subgênero do steampunk, o clockpunk também funde tecnologia avançada com design pré-moderno. 

Neste caso, no entanto, o componente histórico da tecnologia vem das engrenagens dos relógios. Mainspring, de Jay Lake, é um excelente exemplo recente desse tipo de ficção.

6) Mitopunk

O Mitopunk combina técnicas de contar histórias pós-modernas com folclore de várias tradições. 

Catherynne M. Valente, autora de A menina que navegou ao reino encantado no barco que ela mesma fez, e Ekateria Sedia são consideradas autoras de mitopunk.

7) Elfopunk

Já viu um elfo mais punk que esse?
Cyberpunk elf mage, de Piotr Krezelewski

Uma forma de fantasia urbana que pega fadas e elfos e os transporta para o aqui e agora, como Holly Black em O príncipe cruel

The Iron Dragon’s Mother, de Michael Swanwick, é frequentemente citada como outro exemplo, assim como Wicked: A história não contada da Bruxa de Oz, de Gregory Maguire.

8) Mannerpunk

Um termo explícito usado para descrever qualquer comédia de costumes com elementos fantásticos, como Swordspoint de Ellen Kushner.

Pode se dizer que são primos literários de livros como as comédias românticas de Jane Austen. Essas histórias estudam as interações sociais entre seus personagens, geralmente dentro de uma convivência rígida e uma estrutura social hierárquica. Porém esses personagens podem ser tão facilmente dragões, demônios ou fadas quanto seres humanos.

9) Splatterpunk

Esse movimento foi uma reação ao horror “manso”, que dependia do suspense e do poder da sugestão para assustar os leitores

Isso inclui filmes de terror e filmes com representações horríveis e detalhadas da violência. 

Em 1990, Paul M. Sammon editou duas Splatterpunks: Extreme Horror antologias que incluíam obras de Clive Barker, Edward Bryant e Poppy Z. Brite. Esse termo entrou amplamente na moda nos círculos de terror.

10) Nanopunk

No nanopunk, a nanotecnologia é frequentemente indistinguível da magia, como em The Diamond Age, de Neal Stephenson. 

Kathleen Ann Goonan e Linda Nagata também são frequentemente citadas como escritoras de nanopunk.

11) Greenpunk

Às vezes o punk pode ser limpo.
Utopia Hub, de Mitchell Stuart

Às vezes descrito como ficção científica que ocorre em um “tecnologicamente consciente agora”, o greenpunk pode ser o sonho de um ambientalista. 

Energia limpa, tecnologia de baixo impacto e pequenas pegadas de carbono são as armadilhas de um mundo em que a humanidade passou pela atual crise das mudanças climáticas com pelo menos algum grau de sucesso. 

Paolo Bacigalupi, autor de Faca de água, está se tornando um dos mais conhecidos escritores de greenpunk; ele ganhou os Locus e Theodore Sturgeon Awards, dois prêmios importantes.

***

E aí, o que achou? 

Conhece alguma história que se encaixe nesses gêneros e não foi citada? 

Então coloque nos comentários e ajude a aumentar as listas de leitura do pessoal.



Traduzido e adaptado dos sites Lit Reactor e Syfy Wire.

Conheça este curso:

   

2 comentários

Oghan · 13 de maio de 2020 às 7:37 pm

Muito bom!

vou deixar anotado aqui: steamfunk, cyberfunk, que são as vertentes negras do cyber e do steam, focando em uma diáspora negra com tecnologia “revolucionária” para sua época..
Também senti falta dos autores nacionais na lista.

tem também o jadepunk, especializado em china “punk” .. o japão também tem sua versão, mas eu SEMPRE esqueço o titulo como é referenciado.

    Vilto Reis · 29 de maio de 2020 às 4:58 pm

    Que massa, cara! Valeu por agregar aqui sempre.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.