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HISTÓRIAS ORIGINAIS — Uma breve conversa sobre tropo e clichê

Publicado por Vilto Reis em

No interior de um túnel, um homem de mochila nas costas e capuz escuro tampo o rosto com sua mão esquerda. Debaixo da mão, sai fumaça. Poderia inspirar algumas histórias originais!


Histórias originais são possíveis ainda hoje?

Provavelmente, você já se fez esta pergunta. Ainda mais se tem a preocupação de que sua obra não seja chamada de “clichê.”

Mas como conseguir isso se “todas as história já foram contadas?”

A partir de um entendimento da diferença de tropo e clichê, vou procurar sugerir alguns caminhos abaixo.

Continue lendo este artigo para escrever mais histórias originais!

O que é tropo e o que é clichê?

Tropo é uma palavra grega que, no sentido clássico, trata-se de uma figura de linguagem na qual ocorre uma mudança de significado (em pensamento ou palavra).

No entanto, Tropo foi redefinido na ficção contemporânea como algo recorrente em um gênero ou tipo de literatura. 

Por exemplo: o cientista louco, de filmes de terror; o velho sábio, em histórias de fantasia; o crime e o investigador, em histórias policiais; ou até o “era uma vez” como uma introdução aos contos de fadas. 

Pode se dizer que é semelhante ao arquétipo em alguns casos.

Já o clichê é uma frase, expressão ou situação  que é usada em excesso de forma que seu significado original perde a força, tornando-se banal. 

Por exemplo: a princesa que precisa ser salva. 

Talvez os clichês sejam “maus tropos”. Ou não, se pensarmos que uma história de fantasia pode acontecer normalmente sem termos uma princesa a ser salva (clichê), mas não sem algo mágico, por mínimo que seja (um tropo do gênero).

Acho que com este exemplo, as coisas podem ter ficado mais claros. 

Se não ficaram, deixo abaixo um “conselho” da escritora Jana Bianchi, autora de Lobo de rua, em seu twitter que pode ajudar a esclarecer ainda mais as diferenças:

Toda esta conversa sobre “tropo e clichê” nos leva a uma frase muito comum quando o assunto é: histórias originais.

“Todas as histórias já foram escritas”

É quase impossível você escrever e ainda não ter ouvido esta frase.

Eu mesmo devo a ter usado em alguma oportunidade.

De fato, podemos dizer que todos os temas, estilos, conceitos, reviravoltas ou tipos de personagens já foram utilizados nas histórias (com exceção de detalhes específicos).

Basta resumir a história para você ver Macbeth em O rei leão, ou analisar as histórias de amor para encontrar Romeu e Julieta ou algo do tipo Cinderela.

Logo, podemos fazer a pergunta do próximo tópico.

Então como escrever histórias originais?

Afinal, não vamos desistir de escrever, certo?

O primeiro passo seria: preocupar-se menos em deixar de escrever algo que já foi escrito.

Porque quando você escreve uma história, usa a sua visão pessoal a respeito daquele assunto, além de escolher pontos de vista únicos para relatar a história.

Outra a questão ao se tentar escrever histórias originais é lembrar que para um leitor experiente (com muita leitura) tudo será realmente já conhecido. Entretanto, para um leitor iniciante, tudo é original e novo.

Ou seja, para alguém, tudo que você escrever será “usado demais”, enquanto para outra pessoa pode ser “original.”

Apesar de dizer tudo isso, acho sim que você deve buscar escrever histórias originais.

É importante evitar os clichês (embora alguns possam ser usados com cautela) e se aproveitar dos tropos do gênero que você está escrevendo, até mesmo às vezes subvertendo alguns deles.

E, como já falei, sem esquecer de sua visão única de mundo.

Estereótipos também devem ser evitados. Até por que boa parte deles são preconceituosos — como o oriental que fala “flango” em vez de frango. Por favor, NÃO! 

Só observando alguns dos pontos citados, você estará no caminho para escrever histórias originais.

***

E aí, concorda? Discorda? Ama algum clichê? Odeia algum tropo? 

Coloque nos comentários!

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4 comentários

Adriano Cubas · 5 de junho de 2020 às 4:33 pm

Pra quem já leu bastante, e que sabe que sempre falta o que ler, é mais fácil ver esses tropos e clichês e evitá-los. Um exemplo: “a princesa a ser salva” poderia ser substituído por: a princesa cansou de esperar por ser salva e se virou, ou ela é que foi salvar o príncipe, ou não era a princesa que precisava ser salva e sim uma plebeia ou então a princesa não precisava ser salva. Eu penso que precisamos buscar essas histórias diferentes e deixar de lado esses tropos e clichês.

    Vilto Reis · 8 de junho de 2020 às 12:51 pm

    Penso que o principal é trabalhar bem o tropo, talvez subvertê-lo, e evitar os clichês.
    Obrigado por comentar!

Uelinton B.S. · 19 de junho de 2020 às 3:17 pm

Boas colocações. Até então, eu não tinha conhecimento sobre “tropo”. Na minha cabeça, o único elemento a ser evitado, e com razão, seria o clichê. Concordo com você, Vilto, de que insistir no tropo, pode ser uma boa alternativa para quem sabe, dar aquele tom de originalidade a sua obra. Sem contar que é mais fácil moldá-lo no contexto do livro, no gênero, na cena, e fugir do clichê ao mesmo tempo. É bem mais fácil do que fugir do clichê, risos.

    Vilto Reis · 24 de junho de 2020 às 11:19 pm

    Com certeza, meu amigo. Obrigado por comentar 😉

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