7 Lições da Copa do Mundo que todo ESCRITOR DEVE APRENDER

Publicado por vilto em

Quem diria que escritores podem aprender Lições da Copa do Mundo?

Não é brincadeira. Pois encontramos uma série de narrativas no evento futebolístico. Conflitos, vilões e heróis, tramas imprevisíveis e grandes viradas.

Só precisamos ter um olhar atento a isso.

E minha missão neste texto é apontar essas Lições da Copa do Mundo para você. Acredite, são percepções que podem mudar sua ótica sobre a escrita.

Então conheça as 7 Lições da Copa do Mundo que todo ESCRITOR DEVE APRENDER:

 

1) Heróis também podem ser vilões

Na Copa do Mundo, temos vários momentos em que um grande jogador pode se tornar um vilão.

É o caso de Messi e de Neymar criticados por não levarem suas seleções nas costas. Mas quantas vezes esses mesmos caras levaram? Foram heróis nos últimos minutos. Ou proporcionaram lances de efeito que parecem elevar o futebol ao nível da arte?

Da mesma forma, em uma boa história, podemos ter personagens que sejam julgados pelo público como vilões. E depois, revelam-se heróis.

Por isso a importância de trabalhar a expectativa da torcida. Ops.. do leitor.

Fique de olho nisso.

 

2) Quem não tem coragem, não serve para ganhar (ou escrever)

Várias seleções foram punidas por ficarem defendendo um a zero. Aquele jogo sem coragem. Como a Sérvia diante da Suiça, ou a Suécia diante da Alemanha.

Clarice Lispector falava em coragem para escrever.

Ou seja, se você vai se sentar para criar, trabalhar e revisar uma obra, faça-o com coragem. Esqueça o que seus parentes ou grupo de amigos vão pensar (um conselho de Horacio Quiroga). Saia do lugar comum, do empate, do resultado seguro e se arrisque.

Se não der certo, você não vai precisar esperar quatro anos para tentar novamente.

Pelo menos, escrever tem essa vantagem.

 

3) Talento sem organização não leva a lugar nenhum

A seleção da Argentina é a prova disso. Quem olha o time escalado no papel não imagina o futebol ruim apresentado nas duas primeiras partidas da copa. E a sofrida classificação para as oitavas-de-final na terceira partida.

Têm talento? Sem dúvidas. Até a questionada zaga dos hermanos é feita de jogadores que atuam em grandes times do futebol europeu. Então por que não funcionou?

Simples. Talento sem organização não leva a lugar nenhum.

Você pode ter talento literário, mas se não se aplicar, estudar, fazer cursos de escrita e ser obcecado por revisão, dificilmente vai se dar bem.

Não espere pelo talento. Corra atrás.

 

4) Estratégia e planejamento são importantes, mas o que manda é a emoção

Pode parecer contraditório com o item anterior, mas você vai entender.

Não há nada mais chato na Copa do que seleções que jogaram com o regulamento embaixo do braço. Jogos sem emoção, burocráticos e sem espetáculo algum. A torcida russa teve razão de vaiar França e Dinamarca por aquele jogo de compadres sonolento.

Da mesma forma, uma narrativa de ficção deve apelar para a emoção. Sim, apelar é a palavra certa.

Quando Alfred Hitchcock era questionado pela crítica, que alegava que seus filmes não eram verossímeis, ele sempre respondia falando de emoção.

Era ali que residia sua intenção narrativa. Emocionar o espectador, tocar nele.

E é o que todo escritor deve procurar.

 

5) A cada copa é preciso se reinventar, assim como a cada história escrita

E o que dizer da Alemanha? Campeã mundial depois de ter batido o Brasil por 7×1 nas semi-finais. Não só decepcionou por cair na primeira fase na Copa de 2018, como também apresentou um futebol apático e sem graça.

Não se reinventaram.

Por certo, o mesmo vale para os escritores.

A cada livro, a cada história, ou mesmo a cada rascunho, é preciso se reinventar.

Não reinventar a roda. Afinal de contas, as estruturas narrativas já existem. No entanto, é preciso buscar a palavra certa, o personagem imprevisível, o tema instigante, a abordagem inusitada, como se cada elemento servisse de base a um novo tipo de história.

Algo que só você pode inventar. Ou reinventar.

 

6) Seus pontos fracos podem se tornar seus pontos fortes. Basta trabalhar

No último jogo da primeira fase, o Brasil enfrentou o Sérvia. Essa mesma Sérvia que era um dos times mais altos da Copa. Detalhe: quase todos os gols que a Seleção Brasileira sofreu na era Tite foram de cabeça, na jogada aérea.

Eram de se esperar problemas, certo?

Errado. O Brasil não só neutralizou os ataques sérvios (graças a uma postura mais agressiva do goleiro Alisson, socando todas as bolas que chegavam na área pelo alto), como também fez um gol de cabeça. Acha que foi coincidência?

Que nada. Isso foi trabalhado e treinamento.

Seus pontos fracos podem se tornar seus pontos fortes. Basta trabalhar.

Eu mesmo quando comecei escrevia péssimos diálogos. Hoje eles são um dos pontos fortes da minha técnica narrativa. Como isso aconteceu?

Sim, li muitas dicas sobre diálogos, escrevi bastante, analisei grandes escritores e consegui.

Não é milagre. Nem talento. É correr atrás.

 

7) A Copa não tem idade, mas cria memórias. Assim como os livros

Calma, já vou explicar.

A primeira Copa que realmente assisti foi a de 2002. Eu tinha 10 anos de idade. E ia a casa de um vizinho junto com meu pai assistir aos jogos. Não tínhamos televisão em casa. E o Brasil foi Penta (em cima da Alemanha, não custa lembrar).

De lá para cá, virou um ritual. Meu pai, que tem idade para ser meu avô, e eu sempre assistimos os jogos da seleção juntos. É uma memória que alimenta a nossa relação de pai e filho.

Faz diferença a idade entre ele e eu? Não. No futebol, não faz.

Assim, a literatura deve percorrer um caminho semelhante. Criar memórias afetivas em pessoas de diferentes idades. C.S. Lewis dizia que os mesmos leitores que leem livros infantis quando adultos já liam livros de adultos na infância.

Mas então como o escritor pode criar essa memória em comum? De que forma provocar a identificação de leitores tão diferentes?

O segredo reside no conflito. Se o conflito gerar identificação, não importa a idade de quem lê.

O escritor deve focar nisso.

***

É sempre bom usarmos eventos e acontecimentos do mundo ao nosso redor para refletirmos. Há lições que podem ser encontradas em todos os lados.

Basta olharmos.

Mas e aí, quais outras lições da Copa do Mundo os escritores podem aprender?

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