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Como saber se minha história é boa? 5 Perguntas que vão ajudar você a descobrir

Publicado por vilto em

Minha história é boa?

Como sei que minha história é boa?

Esta é uma pergunta que ouço bastante.

Talvez você tenha medo de publicar e passar vergonha. Quem sabe, fica em dúvida do seu talento. Ou acaba sendo tão perfeccionista que nunca acaba de escrever uma narrativa.

São dúvidas normais.

É o seu lado emocional falando mais alto.

Porém, se você desistir, como vai saber se seria bem sucedido como escritor?

O genial Isaac Asimov — autor da trilogia Fundação, entre outras obras — disse certa vez:

“Quem tiver talento, obterá o êxito […] se persistir naquilo que faz.”

– Isaac Asimov

Ou seja, a dúvida “minha história é boa” só pode ser superada se você persistir na escrita e encarar racionalmente a questão.

Por isso, separei 5 pergunta, com base nos ensinamentos do professor de roteiro Syd Field, para você se certificar da qualidade da sua história.

Continue lendo este artigo para superar este medo.

Os dois tipos de escritores: Fraude X Gênio

Foto por Mario Bruns.

Nos últimos 8 anos, participei de vários projetos literários. Fundei editora, organizei antologia, editei revista de contos etc.

Portanto, acabei conhecendo vários tipos de pessoas que escrevem, ou desejam escrever. Posso enquadrar a maior parte delas em duas categorias:

1) As que se sentem uma fraude. Nada do que fazem acham bom, duvidam de seu talento e procuram alguém que responda a pergunta “minha história é boa?”, em busca de aprovação e aceitação.

2) Aquelas que se veem geniais. Não entendem por que os outros não reconhecem seu “talento.” São grosseiras com quem as critica. E acreditam que os outros são obrigados a admirar sua grandeza. Assim sendo, não se esforçam em melhorar, pois nasceram para ser geniais (será?).

Em qual você se enquadra?

No caso do segundo grupo, não há muito o que fazer. É um problema de ego (tão grande que não cabe aqui).

Se você se identificou com o primeiro, saiba que tudo que tem a fazer é mudar seu mindset.

Assim sendo, sempre que receber uma crítica, verifique se é construtiva. Se for, verifique o problema e procure conhecimento por meio de rodas de escritores, manuais literários, cursos de escrita criativa etc.

Cada experiência deve produzir aprendizado. Fique ciente de que tudo é possível aprender. Basta se esforçar com consciência.

Mas tudo bem. Você deve estar se perguntando ainda: ok, mas como saber se minha história é boa?

A resposta está no tópico a seguir.

Cinco perguntas para saber se “minha história é boa”

O que você deve fazer se sua história não passar no filtro que vou apresentar a seguir?

Desistir não é o caminho. Ou você melhora sua ideia, ou pensa em outra.

Lembra da frase do Asimov no início do texto?

Não é só talento que importa, mas também persistência.

Outra coisa, seu livro dificilmente passará nesse filtro caso não tenha sido planejado antes de escrito. Até mesmo porque o aritgo se baseia na ideia da estrutura clássica. Em caso de dúvidas sobre a Estrutura de Três Atos, dê uma olhada no gráfico no início desse tópico ou assista este vídeo.

Mas chega de enrolação, vamos às perguntas?

Vou explanar sempre o problema para dar o contexto às perguntas-chaves de Syd Field para análise de estrutura. Veja só:

1) Comece do começo

Errar logo no começo da história rouba sua credibilidade. Será que o leitor continuará a leitura?

Principalmente se for uma narrativa em que o protagonista não foi bem apresentado, ou se não há um conflito desde o princípio.

Portanto, há três coisas que você deve priorizar no primeiro ato:

  1. Sobre QUEM a história é;
  2. Sobre O QUE a história é;
  3. Quais as CIRCUNSTÂNCIAS DA AÇÃO.

A pergunta chave de Syd Field aqui é:

No Primeiro Ato, ficou estabelecido o personagem (sobre quem a história é), a premissa dramática (sobre o que a história é) e a situação dramática (as circunstâncias em torno da ação)?

2) O problema do incidente inicial

O incidente inicial é onde a história começa realmente, pois é neste momento em que o personagem é arrancado do mundo comum por algum evento marcante.

Pode ser demitido, perder alguém importante ou ser obrigado a encarar um novo desafio.

A partir daí, o protagonista terá de lidar com uma nova realidade. Por isso, a importância de o escritor preparar bem essa parte.

Então, o que você precisa se perguntar é:

O incidente inicial é o início real da história? A partir deste ponto, o leitor embarca na história verdadeira do livro?

3) Os obstáculos trazem desenvolvimento para o personagem

Os obstáculos, na primeira metade do Segundo Ato, provam o personagem. Ou melhor, sua determinação em conseguir seus objetivos.

Em todos os níveis — físico, social e psicológico —, vemos a evolução pautada nos desafios enfrentados.

Se tudo dá certo para o protagonista, não há interesse por parte do leitor.

Por isso, pergunte-se:

A primeira metade do Segundo Ato colocou o protagonista à prova? Ele foi levado ao seu extremo? Foi testado em satisfazer sua necessidade dramática (aquilo que ele quer ganhar, conseguir, alcançar ou realizar no decorrer da história)?

4) Coesão entre as partes

Muitos escritores pecam neste ponto.

No meio da história, há uma grande virada. Porém parece haver uma nova narrativa a partir daí. De tal forma que as histórias não se conectam.

É importante costurar as pontas soltas do enredo.

Uma maneira de fazer isso é ligando passados de personagens que, até então, o leitor achava que não possuíam relação.

Questione-se:

Existe um enredo/situação que mantém coesa as duas metades do Segundo Ato?

5) Finais e reviravoltas

Finais previsíveis são uma decepção. Quase sempre, ao menos.

No entanto, é fundamental manter a verossimilhança. Não adianta sacrificar a suspensão de realidade do leitor para surpreender no fim com algo estapafúrdio.

Plante pistas ao longo da história que justifiquem o final.

E depois, procure saber:

A história se resolve de um jeito inesperado no Terceiro Ato? Se há uma parte já esperada pelo leitor, existe alguma outra reviravolta que acontece?


Três livros que indico para estruturar melhor suas histórias

Foto por Kat Stokes.

Aprendi quase tudo que sei de escrita por meio do hábito de escrever diariamente, oficinas literárias e leitura de manuais literários.

Muita leitura.

Por isso, não poderia acabar este artigo sem indicar três grandes referências destes manuais no que se refere à estruturação da história.

Procure ler pelo menos um deles. Você verá que valerá a pena.

Manual do roteiro, de Syd Field

Uma das maiores referências para roteiristas, Syd Field aborda todas as questões da construção de uma história. da ideia inicial ao texto finalizado, do desenvolvimento de personagens e situações dramáticas ao perfeito acabamento da cena (ver na Amazon).

Roteiro – Problemas e soluções, de Syd Field

Em outra preciosidade para escritores, Syd Field nos brinda com a solução dos principais problemas que acontecem em estruturas de textos. E faz isso esbanjando suas décadas de experiência no assunto. Recomendo (ver na Amazon).

Story: substância, estrutura, estilo e os princípios da escrita de roteiro, de Robert McKee

Outro manual que trata de escrita, e que você precisa ter em sua estante, é este famoso livro de Robert Mckee. Professor de uma das oficinas de roteiro mais famosas do mundo, ele vai direto ao ponto, mas com profundidade, nas questões que surgem ao criar uma história. Vale por anos de estudo (ver na Amazon).

Conclusão — Como saber se minha história é boa?

Dica: nunca será o suficiente. Nem tão boa quanto você imaginou. Mas procure focar em fazer o melhor que puder e buscar sempre evoluir como escritor.

Não se faz um escritor em um ano de escrita.

Alguém já disse que para ser profissional em qualquer coisa é precisa dedicar pelo menos 10 mil horas.

Ou seja, quanto antes você começar, melhor.

Categorias: Artigos

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