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Talento Literário — A verdade que ninguém nunca te contou sobre ter ou não

Vilto Reis
Escrito por Vilto Reis em 26 de fevereiro de 2020
Talento Literário — A verdade que ninguém nunca te contou sobre ter ou não
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Como saber se você tem talento literário?

Talvez muitas vezes tenha batido a dúvida. A hesitação de estar desperdiçando sua vida escrevendo enquanto poderia estar fazendo outras coisas.

Ou, quem sabe, se vale à pena passar o tempo solitário criando histórias.

E o questionamento só cresce se a família também duvidar da sua escolha.

Será que pai, mãe, irmãos, esposa ou esposo não estão certos em dizer que você deveria focar mais em ganhar dinheiro, na vida real?

Se algum desses pontos faz parte da sua vivência, leia este artigo até o fim, pois você vai encontrar a resposta se tem ou não talento literário.

O que é talento literário?

Evidentemente, não existe consenso sobre esta pergunta. Se você entrevistar dez escritores, terá dez respostas diferentes.

Por isso, vou apresentar uma definição que está na obra Oficina de escritores, de Stephen Koch (veja na Amazon). Um livro que, aliás, mudou muito a minha perspectiva como escritor. O autor foi professor do programa de pós-graduação em Escrita Criativa da Columbia University. Recomendo.

Em resposta à pergunta “o que é talento literário?”, ele responde:

“Uma fluência ágil. Um jeito com as palavras. Uma imaginação que se acende facilmente, sempre pronta a ver, ouvir e sentir. Um ouvido para a música da linguagem, uma tendência para se deixar absorver nos misteriosos movimentos de seu significado e de sua sonoridade. Uma sensibilidade em relação ao público leitor. Habilidade para organizar conceitos verbais com coerência, eficácia e razoável rapidez. Aptidão para captar formas e figuras sutis da imaginação vívida e destreza para fixá-las na página.”

Quando li este trecho pela primeira vez, tive uma palpitação. Tamanha empolgação por encontrar um “atestado”, pelo menos a meu ver na época, que deveria continuar escrevendo. 

Poderia acabar o artigo aqui? Talvez. Mas vamos destrinchar o que Koch quis dizer.

Nasce-se com talento literário ou se desenvolve?

Não vou negar que existam pessoas com mais facilidade em desempenhar certas tarefas. Seria ridículo fazer isso, mas daí a associar a um “dom”, algo divino, também me soa forçado.

Fluência e jeito com as palavras não é algo que nascemos sabendo. Aprendemos.

Sensibilidade ao público pode ser um treino de observação.

A imaginação precisa ser estimulada.

Organizar conceitos com coerência e eficácia vem com prática e conhecimento do idioma.

E destreza para fixar formas e figuras sutis da imaginação? Quanto mais fizer isso, mais fácil fica.

Para traçar um paralelo com outra arte, veja abaixo um quadro do Picasso iniciante (igual ao de qualquer outro pintor) e um depois de desenvolver seu estilo e ajudou a criar um movimento artístico, o Cubismo. Ele nasceu com talento ou evoluiu com a prática?

Talento literário e a pintura de Picasso têm muito em comum.

Saiba mais sobre como Picasso desenvolveu seu estilo aqui!

Conclusão

Se você tem uma ou mais das características propostas por Stephen Koch, é uma prova de que você tem talento literário. 

No entanto, de nada adianta se você não o moldar por meio da prática constante da escrita, revisão e análise da sua ficção, além de cursos, oficinas e livros para escritores que certamente vão te ajudar.

James Baldwin foi categórico:

“O talento é insignificante. Conheço muitos fracassados talentosos. Além do talento, contam também a disciplina, o amor, a sorte, mas, acima de tudo, a persistência.”

***

Se você quer desenvolver seu talento, recomendo os cursos de escrita que ofereço e séries gratuitas como essas abaixo:

Assista também o vídeo abaixo sobre talento literário:

E o que você acha?

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8 Replies to “Talento Literário — A verdade que ninguém nunca te contou sobre ter ou não”

Uelinton B.S.

Muito esclarecedor o artigo. Realmente essa dúvida martela na cabeça do escritor iniciante(meu caso). De certa forma, ao reler o meu próprio trabalho, acabei me sentindo bem, sabe? Tive aquela sensação de que estava lendo um livro de fantasia qualquer, e isso me deixou nas nuvens. Esses dias atrás, o irmão do John Green, falou sobre o tema no canal tema: “aprenda a gostar do seu próprio trabalho”, quando isso acontece, pode ser um sinal de que as coisas estão indo bem.
Valeu Vilto, se é fera bro!

Vilto Reis

Obrigado por comentar, cara. E que bom que se sentiu assim 😉

Maicon Moura

Tive essa duvida hoje mesmo enquanto pensava se deveria ou não refazer um dos capítulos do meu primeiro romance, e acredito que é uma duvida que caminha junto comigo, não por questões de insegurança, mas talvez seja um modo de querer continuar evoluindo.
Ótimo como sempre Vilto, obrigado por compartilhar.

Vilto Reis

Que legal, Maicon. Fico feliz que tenha sido útil 🙂

Louise

Foi muito bom assistir este vídeo. Vivia me questionando sobre o assunto. Tenho 5 dos 8 pontos listados. Sinto-me encorajada. Obrigada. Abraços!

Vilto Reis

Vai fundo, moça! Escreva, estude, leia e curta todo o processo. Vale à pena 🙂

Rogério Araújo

Vilto, gostaria que você me esclarecesse a seguinte dúvida: o quão “perigoso” é o escritor se sentir parte integrante da história. Não como narrador, mas como um “ser interior”? Como se as coisas acontecessem porque você (escritor) quer e não porque seu personagem quis. Tipo: José beijou Tereza. Será que, no fundo, não era eu que desejava o beijo e fiz com que eles se beijassem? Ou as ações dos personagem são – e devem – ser um reflexo do que nós, como escritores, queremos? Bem confuso, não?? rsrs. PS.: Tenho muita vontade de fazer um curso ou oficina literária, mas existe o “mas”. 🙂

Vilto Reis

Desde que não quebre a coerência com a personalidade do personagem, não vejo problema. Por exemplo, seu personagem é tímido, mas você gosta de falar em público. Fica incoerente ele ser o primeiro a cantar no karaokê, certo? Se isso acontecer, deve ter um porquê.
Espero que tenha dado pra entender 🙂