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Por que parei de desejar boa sorte para escritores

Publicado por vilto em

Você já desejou boa sorte a alguém?

Imagino que sim. Até pouco tempo atrás, eu tinha bastante este hábito.

Desejava boa sorte sempre que me despedia de algum escritor. Mas parei de fazer isso. Por um motivo bem específico.

E se você quer ser escritor, deve se atentar a este motivo. Será fundamental para ser bem sucedido neste sonho.

Antes, porém, podemos nos fazer uma pergunta.

 

O que significa desejar boa sorte?

Os dicionários definem “sorte” como algo que provém do destino. Ou de um acontecimento casual.

Mas de onde vem a expressão de desejar “boa sorte” a alguém?

Provavelmente, origina-se do teatro francês. No qual, desde o século 19, faz-se uso da palavra “merde” como uma sincera expressão de que o espetáculo ficasse lotado.

Agora vem a ironia. Traduzido ao pé da letra, “merde” é o que você está pensando. E as pessoas desejavam muita “merde” antes de um espetáculo por significar somente uma coisa. Muita movimentação de cavalos puxando carruagens.

Ou seja, rastros fecais que eram sinal de casa cheia. Que sorte, hein?

Mas o que isso tem a ver com o título do texto?

 

Por que escritores não devem depender da sorte?

Esta é a parte onde explico tudo. Você faz ideia do porquê de eu ter parado de desejar ‘boa sorte’ a escritores?

Para ilustrar o motivo, vou contar uma história.

***

A história é de uma fã de música clássica.

Passados muitos anos, chegou a oportunidade que estava esperando. A mulher conseguiu ingressos para ver seu músico preferido. Sentou-se na primeira fileira e assistiu em êxtase a performance.

Que homem talentoso, dono de um dom que vem do próprio criador, considerou ela.

Impressionada, esperou o concerto acabar para falar com o artista. Aproximou-se dele, tímida. E após trocar algumas palavras, disse a ele o que queria mesmo dizer:

“Eu daria minha vida para tocar como o senhor.”

E o músico respondeu:

“Foi exatamente o que fiz, minha senhora.”

***

Por que parei de desejar ‘boa sorte’ a escritores?

Simples. Porque para ser um escritor, não se precisa de sorte. O que se precisa é de trabalho.

E trabalho duro.

Antes de publicar meu primeiro livro, Um gato chamado Borges, escrevi uns cinco romances (que nunca vou publicar). Sem falar das dezenas de contos, dos quais publiquei pouquíssimos.

Foi (e continua sendo) um período de grande aprendizado.

Um período que me preparou para desejar outra coisa aos escritores que encontro hoje.

 

Sobre o que passei a desejar em lugar de ‘boa sorte’

Em lugar de ‘boa sorte’, hoje desejo “bom trabalho” ou “bons estudos.”

Até por que considero que são cinco coisas essenciais para alguém se tornar escritor.

Vou falar um pouco delas abaixo:

1) Resiliência

Podemos chamar de paciência também. Sempre digo que é preciso mais paciência do que talento para ser escritor.

Paciência para não publicar a primeira coisa que se escreve. E também para desenvolver o olhar. Este olhar que é fundamental para ser escritor. Um olhar focado em corrigir e melhorar o texto até ele atingir o nível de publicação.

2) Leitura

E não é só ler bastante. Nem ler de tudo. É preciso reaprender a ler.

Quando conversei com Luiz Antonio de Assis Brasil sobre formação de escritores, ele disse que trabalhava justamente isso nos escritores iniciantes. Ensiná-los a ler primeiro.

Ou seja, notar os detalhes. Ver as imprecisões do texto e corrigi-las.

Dois livros que falam sobre o assunto, e eu indico, são: Como funciona a ficção, de James Wood, e Para ler como um escritor, de Francine Prose.

3) Hábito de escrever

Além disso, é preciso escrever. Escrever todos os dias, se possível.

Só assim para poder encontrar aquela fonte dentro de si. Sua voz, suas histórias. De onde, você tirará tudo aquilo que inspirará você em seus livros.

Para isso, é preciso ter disciplina. Coisa que muita gente não tem. E não se culpe por isso. Infelizmente, poucos de nós aprendemos a ser disciplinados. Assim, não conseguimos ser bem sucedidos.

Mas não se preocupe. Esta é a proposta do curso gratuito HÁBITO DE ESCREVER – Aprenda a criar!

4)Ouvir opiniões e aprender

Outra coisa importante é ouvir opiniões e aprender. Muitos escritores iniciantes têm um ego tão frágil (ou pior, inalcançável) que desistem assim que ouvem a primeira crítica.

É preciso encarar as críticas como algo positivo. Mesmo quando elas desconstroem aquilo que deu tanto trabalho construir.

Aliás, isso é normal. É só ouvindo críticas e reavaliando o seu trabalho com frequência que se aprende.

5) Fazer cursos e oficinas de escritores

Se não fizer oficina literária, a pessoa pode se tornar escritor? É claro que sim. Mas o que os cursos e oficinas de escritores oferecem a você é um ganho de tempo.

Em lugar de levar anos para se desenvolver, ou para atingir um bom nível de escrita, você acelera sua curva de aprendizado.

Eu mesmo estudei com vários escritores. E faço questão de citá-los: Marcelino Freire, Luiz Ruffato, Victor da Rosa, Maicon Tenfen, entre outros.

Tenho certeza que eles me ajudaram a evoluir muito mais rápido. E é por isso que hoje ensino outras pessoas a serem escritoras, por meio dos cursos para escritores da RUSGA.

***

Por isso tudo que parei de desejar ‘boa sorte’ a escritores.

Percebi meu erro.

Escritor não se faz com sorte. Escritor se faz com trabalho. Mesmo para ser publicado ou ser lido, é preciso ter um trabalho consolidado para chamar a atenção.

Portanto, bom trabalho!


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